quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Tudo in vermelho

O fim eu sei, pode não ter acabado. Pode ser um novo começo de algo que já éramos bem antes de nos tornarmos o que fomos, mas que não durou como eu gostaria que durasse. É, vi que comecei confusa e confundindo, mas logo tudo se esclarece porque vai ser questão de como será lido. E talvez seja a primeira e última vez que escrevo algo tão pessoal dedicado a uma só pessoa.
Sabe, não existe isso de que tem que durar muito para ser inesquecível, não vê que há coisas que duram tão pouco, mas que pela importância se tornam raras e inesquecíveis? Foi isso que passei em dias, que se tornou inefável. O começo da minha vida.
Foi no dia 1° de Julho, e só poderia ser mesmo. Uma e trinta e pouco da tarde com sol, eu te vi lá, de amarelo segurando o seu suéter preto. Foi quando tudo parou, o coração pulsou tanto que eu não me surpreenderia se tivesse parado de repente, a mão sem saber onde colocar. Com uma certa pressa, mas sem correr na sua direção porque você estava parado e logo adiante veio na minha direção, eu fui na sua. E nos abraçamos, duas vezes. Em meio a tantas pessoas tão pequenas diante daquele momento grande. Ah, e depois do lado de fora logo após você ter fumado se não me engano, repentinamente nos beijamos, fiquei feliz e assustada pela surpresa, não imaginava que iria ser tão rápido. Fiz doce e reclamei por ter tirado meu batom vermelho, reclamei porque gostei, a boba aqui.
E eu adorei seu cheiro de cigarro, não quis retocar os lábios e assim fomos pegar nosso trem. E tudo ia vermelho.
Logo, no trem, fui abraçada segurando sua cintura pela primeira e última vez e se eu soubesse que teria tantas últimas vezes eu teria dado mais importância, mais atenção, segurado firmemente sua mão e beijado de batom... Não pra marcar território, mas querendo dizer que você era livremente meu. Agora me culpo de ter sido desligada demais, me desculpa por ter me desligado tanto. É que eu gostava de ficar assim contigo sem falar nada, aproveitando o momento. Mas se eu soubesse teria pegado fôlego e ter feito mais do que deveria e só respirar quando soubesse que não teria mais chance de te estar mais, deitada no seu ombro eu ia pedir calma e dizer que ainda iria te fazer feliz. Devia ter feito uma despedida digna, com direito a chorar ciente que faria tudo pela última vez.
Queria que soubesse que você me mudou, mudou minha história. O que não havia vivido em 20 anos, vivi em dias com você e eu amei cada momento. Saindo rica dessa experiência, eu te agradeço.
Você pegava minha mão tranquilo e firme, a sensação que eu tinha era a de que você foi o único que eu não quis que me largasse, nunca mais. Tem ideia do que foi tudo isso pra mim? Do que sempre vai ser porque aconteceu, realizou-se por uns instantes. É bobagem o que vou dizer mas... Eu tinha ciúme dos seus cigarros que fumava a todo tempo, sem largar. Um vício que eu queria ser. Me entenda, desde o começo eu sabia que seríamos dois juntos ao invés de um só separados, mesmo quando juntos não seria possível ficar, independente do que fôssemos um para o outro, entende? Podemos nos ver de vez em quando como amigos e garanto te respeitar, ao menos que me prometesse nos ver de vez em quando para jogar papo fora, fumando cigarros, bebendo cervejas.
De todas as promessas, a que podemos cumprir é a de amigos, não é?
E sabe, queria ter sido diferente, queria realmente ter sido maravilhosa p'ra você. Culpa do tempo que talvez não tenha sido o suficiente e meu dinheiro no bolso também não. Porque essas merdas fazem diferença? O pior de tudo é que fazem toda a diferença, mas são sem importância, por são merdas fúteis. A vontade de ficar contigo e infelizmente não poder, essa era grande, isso que fodia a saudade. Infelizmente nos nossos tempos a vida não é construída de amor e vontades, porque são simples demais e coisas simples são difíceis de segurar para não fugirem do controle, de nós , porque nos fazem felizes e felicidade é algo que não dura o tempo todo por tanto tempo. Tem que correr atrás, é consequência. E estamos indo agora cumprir nossos desejos que é realizá-los para ter um futuro tranquilo e não se consegue isso sem estudar, tem a batalha para viver que não é de graça e o amor não te traz. E foi preciso sacrificarmos um relacionamento para construir nossa vida daqui pra frente. E somos jovens não-saudáveis, mas que também correm atrás dos ideais. Os objetivos vieram primeiro.
Não, não vou esquecer o que vivemos juntos. Agora que me acostumei, as lembranças me confortam e até consigo rir sozinha delas em qualquer lugar que eu esteja. E quando ficar embriagada vou lembrar dos seus cuidados, da paciência e vou chorar, mas de felicidade assim como chorei dizendo que estava feliz por estar com você. Ainda estou. Sempre que quiser, na verdade. Vou rir, mas logo vou ficar séria, recordando que você era doce, de um jeito meio sério. Que com você eu pensava no futuro, aliás, eu tinha futuros planos para conquistar junto a você. E sempre que estive ao seu lado minha metade vazia ficava sempre cheia, de coisas boas, claro. Foi isso que me faz te amar irremediavelmente. Foi bonito enquanto durou, foi bonito. Um amor de inverno em plenas férias.
Você sabe que eu não diria o quanto o amor sem pelo menos achar que o amava. Eu te amo, como nunca amarei alguém dessa forma na vida, saiba disso.
A liberdade e a aventura, a ponte, as idas ao mercado, deitarmos na grama, de te segurar e cairmos juntos, de você rir das minhas risadas, o álcool, o cigarro, o café... Tudo isso me preencheu por dentro, por isso chorei pedindo que não me deixasse, não me arrependo de nada que fiz por ter sido por amor a você, inteiramente tudo o que desejei em alguém você tinha. Não foi paixão, é amor.
Até que de repente ou não de repente, acabou. Ou melhor, se é para ser delicada: transformou-se. Então que acabe como começou, eu pensei. Por mais que eu não quisesse, tive que me conformar em soluços, acreditando sem querer. Pois eu não tenho o direito de estragar seus planos, não insisti para não tornar difícil. Vai, e desejo do fundo do meu coração que seja feliz. Quero tanto que ao menos desejo que alguém te faça ser. Me conforta em pensar que vou viver agora sabendo que vou ter sua amizade, falo enxugando os olhos ou sem nada mais na cabeça, obrigada por tudo.
Por final...
Você foi o primeiro naquele primeiro de Julho. Não, não foi coincidência. Acredito que foi o destino.

3 comentários:

  1. De um tom confessional sutil e lindo :)
    Obrigada pelo comentário lá no blog. Virei mais vezes aqui.

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  2. O fim eu sei, pode não ter acabado. Pode ser um novo começo de algo que já éramos bem antes de nos tornarmos o que fomos mas que não durou como eu gostaria que durasse.
    É isso mesmo que penso rs, palavras inteligentes.

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  3. Emocionante.
    "Para todo fim, um recomeço."

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