sexta-feira, 17 de agosto de 2012

De outrora para o agora.

Ainda mesmo ontem e não foi ontem, mas lembro como se fosse.
Eu era criança e quando eu fui sempre estive feliz sem saber como isso faria falta hoje. Andava livremente, corria como diversão e me sujava com o único medo de que minha mãe fosse brigar e brigava, e eu chorava sem saber que aquele choro não seria nada se comparado aos que já derramei. Hoje ela ciente que já estou grande o suficiente para não receber mais broncas, apenas me apóia ou se cala diante dos meus erros, erros que eu procuro não cometer para não magoá-la. Quando pequena eu era ingênua igual a um inseto que não sabe que está à mercê do perigo e pensava que quanto maior eu fosse, mais felicidade teria. E o clichê repetitivo que todos diziam de tentar ser alguém na vida ficou guardado na minha cabeça, como se fosse uma obrigação conquistar o que se deseja em determinada idade para ser plenamente feliz durante toda a vida. E depois, precisei me tornar alguém adulta para saber que isso não é o suficiente. Convivo com a sensação de nunca estar satisfeita porque sempre, seja lá o que eu não sei o que é, fica faltando. E essa busca incessante parece que está bem longe de acabar, pois ainda nem sequer começou e não sei como por onde começar. Nessa mesma e única infância sofri pequenos momentos que se tornaram uma marca permanente, um trauma, de pessoas que em momentos de fúria descontaram em mim a raiva que não souberam controlar. Já sofri agressões físicas e uma delas me tirou a respiração por segundos que mais pareciam horas e consegui ver momentos da minha vida passando diante dos meus olhos, o que dizem é verdadeiro. Posso dizer com toda convicção que eu sobrevivi e que valeu o esforço de tentar a qualquer custo voltar a respirar. Sabe, a crueldade humana é a que mais me deixa em estado de choque e confusa demais para entender como pode haver tanta maldade. Por isso é sempre benéfico ter como companhia criaturas como crianças e animais, pois não há maldade que vá lhe fazer desacreditar na humanidade. Mas de retorno ao que fui, criança, serelepe, franzina, desengonçada e cheia de sonhos, estes que já foram destruídos pelo tempo e corrompidos pelo mundo. Sonhos que não posso mais conquistar, somente sonhar. Sempre quis um futuro satisfatório, aos 15 ou até bem antes, já me imaginava ser independente com 18 anos e por isso a vida seria fácil, veja bem, o quão inocente eu era. Era, não sou mais. Ainda sou franzina, mas cheia de sonhos? Hoje não. Mas eu sempre quis ser livre, dona de mim mesma e do meu próprio nariz sem precisar cumprir com obrigações que não imaginei estar cumprido agora. Não é uma reclamação, é um fato, um triste fato. E cá estou eu, lamentando por não ter conquistado metade do que pretendia porque no passado vivia mais sonhando acordada do que aprendendo a viver na realidade. Dou valor pela vida que tive no passado, pois de alguma forma isso me fez crescer mais do que qualquer coisa que pude presenciar sem ter experimentado na pele. E as poucas e fantásticas experiências que pude ter me tornaram e vão me tornar alguém forte e decidida para enfrentar os obstáculos que forem impostos contra mim. Ainda assim, cada dia que passa me decepciono comigo mesma. Cadê aquela gana que tinha quando criança? Aonde foi parar? Por que me deixou só e não cresceu junto comigo, por quê? Eu respondo.
Porque quando a gente cresce é mais do que compreensível que as coisas acabem ficando para trás para que possamos aprender a caminhar sozinhos com os nossos próprios pés, é preciso que tenhamos a sensação de abandono para superar a sensação de que estamos apenas começando a conquistar a independência. Só que você nunca está só. Lembre-se de quem está contigo e siga. Eu não quero dar adeus ao que ficou lá. Hoje, com a minha infância lá atrás e perdida pelo caminho seguirei, não só, mas aprendendo a caminhar sozinha porque é preciso para aprender o máximo de si junto à descoberta da capacidade que hei de saber usar. Sei que não sei como começar, mas saber disso já é um começo.
Estou aqui, perdida e não sei por onde começo minha vida. Lá vou eu.

2 comentários:

  1. Uma vez eu li em algum lugar que quando não soubéssemos pra onde ir, não devíamos nem sair do lugar. Mas eu também já li, em algum lugar, que parados corremos o risco de não encontrar lugar nenhum. Saindo do lugar, mesmo não sabendo pra onde ir, acho que é a melhor opção. Porque um caminho sempre conduze ao outro e ao outro. E é quando procuramos que encontramos, quem acredita sabe encontrar. Li seu texto ontem pelo celular, acabei encontrando seu blog e hoje tive que ter uma "mão" danada pra te encontrar, moça. Gostei muito daqui. E bem, acredito que temos que ter os mesmos olhos de crianças, e pés firmes na terra. Com firmeza nos passos, mas sonhando, acreditando, caminhando, querendo provar a sensação das nuvens de algodão e caminhar pulando as poças, até encontrar uma rua, um beco, uma entrada (ou saída) que você se sinta em casa e pense, é esse o caminho é essa a rua, é por aqui que eu quero andar. Não se torne um desses adultos desesperados, sem paciência nas filas de espera, a nossa vez sempre chega. Não se torne um desses adultos que encontramos nas aradas de ônibus e parecem nunca terem dado um bom dia, boa noite. Não se torne um desses seres humanos que acham que é tarde demais. Um beijo, Grazi. Cuide-se.

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    1. Ao menos tu pode se orgulhar de ser honesta consigo mesma. É um começo, quem sabe uma direção.

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