quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Na falta de luz.

Ontem, seria um dia supostamente normal e até certo ponto foi. Isso, se eu não tivesse me dado ao luxo de prestar atenção aos detalhes, nas coisas simples. Não tenho nada para reclamar do dia de ontem. Primeiro que, é estranha a forma com que deixamos os dias passarem e por culpa das horas que passam depressa acabamos perdendo o tato interno e esquecendo de notar algum movimento que dê emoção ao dia que acabou e ficou sendo só mais um, com a mesmice de sempre e que os torna tão entediantes. E é incabível como deixamos sem a menor intenção, uma coisa dessas acontecer. Segundo que, deixar de prestar atenção nas coisas simples da vida e da natureza é desperdício de vida e de tempo, já que este passa correndo e quer que corremos juntos mesmo sem o fôlego ou a sede de viver de antigamente. E é isso que nos torna sem vida achando os dias cinzas mesmo com um calor infernal diante desse concreto e da natureza que se encontra escassa nas nossas cidades. Luxo é desnecessário porque nada se compara a simplicidade que pode sempre ser reaproveitada da melhor forma possível. Sentir as coisas simples torna tudo tão bonito e me culpo por não fazer isso sempre. Digo isso porque ontem, ao ter uma queda de luz por causa da maravilhosa chuva que caiu diante do céu cinza avermelhado, me irritei por ficar sem nada para fazer. E me irrito ainda mais comigo agora e ontem consciente um tempo depois, ao perceber que quando há luz, eu deixo de fazer o que pretendia para fazer nada. Vai ser diferente daqui pra frente. Ontem não pude ir à rua e tomar banho descalça sob o asfalto como fazia quando criança, mas vou observar e apreciar mais cada movimento da natureza. Pois ontem quando não tinha luz, apreciei ainda mais a luz da vela, fiquei na companhia da minha sombra e dei valor à chuva que caia. Passei a ver tal escuridão com outros olhos, com a beleza que merece e usufruindo cada de momento. Quando como fiquei deitada de olhos abertos e enquanto ouvia música, observava os movimento da cortina com a janela aberta sentindo o vento que batia. Foi um momento inefável. Agora eu peço que você aprecie as coisas simples quando a luz acabar, não deixe o momento passar em branco. Veja desde a gota d’água até uma tempestade com um olhar de amor pela natureza, feche os olhos e deixe o vento bater em sua face e algum dia crie coragem para tomar banho de chuva descalça (o) sem se importar com nada ao seu redor, só dê importância as coisas simples e singelas porque tudo é passageiro.

3 comentários:

  1. Que bonito, Grazi! Mas, ó, deixa eu te falar: você só poderia se culpar do jeito que se culpa se passasse uma vida inteira sem perceber o que você percebeu ontem. Viver sem notar as simplicidades... Já pensou? Que cousa mais triste seria. E o bom é que você notou, que você se entregou para o momento e fez dele teu. Não se esqueça da sensação que ele te fez sentir. Guarde-a contigo, não a deixe partir de você. Ela é preciosa, valiosa. Se, ao final da tua vida, tiver uma coleção de sensações como essa contigo, terá sido feliz.
    O vento não rejeita ninguém. E sensações são como o vento. Se quiser voar, voe. Nem mesmo asas é preciso ter.

    Beijos,

    http://andorinhaeseuvoo.blogspot.com.br/

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  2. "Sentir as coisas simples torna tudo tão bonito e me culpo por não fazer isso sempre."
    Esse texto todo é tão verdadeiro em si, nós mesmos nos deixamos cair na mesmice do dia a dia, não pode. Temos que prestar a tenção em tudo, até nas coisas mais simples que não deixam sua beleza por conta disso.

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