segunda-feira, 4 de março de 2013

Por favor, primeiro os dramas.


Ultimamente os dias andam silenciosos - tirando o barulho desagradável da vizinhança, é só aqui dentro da minha vida mesmo. E o único som que me agrada lá fora e que me faz companhia todos os dias, é o canto dos pássaros. As tardes, ora quentes, ora chuvosas, se arrastam me levando junto com elas, como se o meu estado deixasse de ser estático e caminhasse não sei para onde. Deixo. Não faço nada do que gostaria e quase choro enquanto observo um belo fim de tarde escapando dos meus dedos, dá um aperto no coração desperdiçar dias assim. Já faz algum tempo que perdi a reação, o desgaste por coisa nenhuma conseguiu fazer com que eu começasse a definhar. Sou visivelmente perturbada pela realidade, não consigo enfrentá-la, queria deixar de ser essa covarde que possui sonhos tão bem guardados que nem os encontra mais. Acho que parei no tempo. É como se eu estivesse dando voltas e mais voltas e parando no mesmo lugar, por mais que o meu esforço é querer me mover, algo impede o impulso e faz com que eu afunde cada vez mais. De resto, venho tendo dias ruins com pausas para a leveza, e por mais palavras pesadas que eu use, nem tudo é tão árduo ou sério quanto parece. Eu sou leve considerando o peso que carrego na minha carcaça, e quando encontro formas de escapar, sinto que a única e verdadeira liberdade de espírito é saber aproveitar até os momentos do seu aprisionamento dentro de si. Ontem de ontem fui feliz, mas hoje eu não sei mais se sou ou, se na verdade, nem sei ser.

Um comentário:

  1. ''... e quase choro enquanto observo um belo fim de tarde escapando dos meus dedos, dá um aperto no coração desperdiçar dias assim.''

    Ah, guria... Te entendo bem, muito bem.

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