sábado, 27 de abril de 2013

Passou.



O tempo vai passando e logo se percebe que a infância é só lembrança, que a inconsequente adolescência se foi, que a fase adulta é fatigante e, não menos importante, que a vida é mesmo curta.

terça-feira, 16 de abril de 2013

De partida, sem despedida.

Os olhos fundos e marejados, a ressaca nem passou porque não veio. A aparência cadavérica, sem vida e castigada pela tristeza resolveu ficar. Não tinha mais cor, era pálida e tinha os dedos magros. Ficou frágil, em preto e branco. Suspirava a cada cinco minutos, esforço que já parecia muito e não aliviava em nada. O sorriso foi transformando-se em um risco na face, depois disso não se abria mais, fechou-se. Foi morrer longe, se deixando sentir a brisa do vento que invadia o seu esconderijo, aquele resto de ar foi uma das poucas coisas que a manteve viva, a última visita que recebeu. Não deixou uma carta e nem viu o fim do mundo chegar, acabou-se ali. Ela partiu, foi em pedaços e pede perdão por ter se deixado levar.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O olhar que não vê as coisas que se encobre do mundo.

Quem te vê passar não sabe por onde os seus pés já andaram, não sabe por quem o seu coração bate de tanto amor, não sabe por quais motivos seus olhos choraram, não sabe das suas frustrações cotidianas. Quem te vê passar apenas enxerga só mais uma criatura na multidão, mas ninguém sabe as coisas vastas que se passam aí dentro de você por mais que as indiretas sejam dadas, por mais que se queira transparecer através de um grito, e não transparece e muito menos se grita, pois vão dizer que você endoidou com algo que só faz sentido no seu interior. E você não sabe como, quando e onde, mas acontece. Alguma coisa sempre acontece internamente e vai de dentro pra fora. Vão notar, dizer que você mudou, então diga que você apenas começou a se descobrir, e isso é somente o seu novo ''eu'' que ninguém precisa aceitar, muito menos quem só te viu. Pois quem te vê passar, não sabe quem é você.
Ainda não sei o que será de mim, eu pensava que só ia me desesperar com o futuro e me enganei. Descobri que o mundo é um lugar muito mais assustador do que imaginei que pudesse ser, isso aqui me intimida e me faz dar alguns passos para trás antes de tentar ir em frente. Mesmo andando cabisbaixa por aí, eu não sei fingir que todo mundo não existe, não vou ignorar a existência do esquecido e queria passar despercebida como quem é ignorado. Eu não queria ser notada pela estranheza, por ser franzina e carregar uma timidez que faz um estardalhaço exatamente por gritar que é excessiva. Não queria passar uma imagem do que não sou, mesmo sem levar em conta tudo o que pensarem de mim, pois quem me vê esperando o ônibus não sabe quem eu sou e do que sou feita, apenas criam uma imagem de mim, então quando entro naquele ônibus as impressões que tiveram são levadas embora, são passageiras. Tudo bem vocês acharem que sou uma moça covarde que precisa párar de adiar a vida por causa da timidez, mas tenho vontade de me esconder cada vez que alguém me fita e observa como se eu fosse um ser de outro mundo, e quem me dera ser. Sei que não posso fugir das pessoas que fazem o mundo, sei as coisas que devo enfrentar, principalmente aquelas que me causam medo. Só que minha vontade é andar sem precisar ficar acuada com tantos olhares, eu espero algum dia superar o medo de sair por alguns motivos bobos e superar os traumas pesados. Não sei como serei vista em cada canto e nem sei como sobreviver a este mundo, mas certamente não faltará oportunidade de viver e sair por amor.