sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A bêbada desequilibrada.

Leia ouvindo.

Lembro dos cuidados que recebia ao me desequilibrar de tão bêbada, lembro do quanto eu ficava incomodada no outro dia pedindo desculpas pelo trabalho que dei e não havia dor que me deixasse de mau humor no dia seguinte. Posso ter feito a besteira de ter exagerado, mas não me arrependo de ter sido feliz nesses momentos. Cada passo desconexo não tinha direção, cada atropelamento de palavras era uma demonstração do quão imperfeita eu era e do quanto amorosa poderia ser. Só a bebida, meu caros, me faz ficar mais sincera do que já sou e mais sentimental do que o normal.
Das coisas passadas que lembro hoje, é como se tivessem sido vivenciadas ontem, de tão frescas que permanecem em minha memória. Não tem nada de memória embriagada que tenha afetado tais boas recordações, cheias daquele gosto de repetição, do querer demais e não poder ter mais. E dói, e como dói. É demasiadamente desconfortável ter em si o aperto da saudade e aquela falta que você sabe que não será mais preenchida da mesma maneira que antes foi. Aí você sabe que terá um vazio para chamar de seu, daquilo que um dia teve e perdeu como o vento que apenas se sente, mas sabe que em momento algum poderá segurar, então você o deixa livre e se prende a um sentimento, o mais belo e puro de todos. 
Falo de ti. Eu começo a lembrar do quão atencioso você era e não me esqueço mais. Quando me trazia água, perguntava se eu estava bem, achava aquilo bobo e bonito. Eu estava ali, com você, por que não estaria bem? É, tenha a certeza de que estive bem em quase todos os momentos ao seu lado com exceção das despedidas, a pior parte era voltar para casa e deixar parte de mim aí, lugar onde queria sempre estar presente. Acho que, no meu retorno, as pessoas no trem deviam desconfiar da minha índole pela cara inóspita que fazia, elas só não podiam ver o vazio que estava dentro de mim e a expressão no meu rosto era apenas com a intenção de me proteger e manter distância de todo mundo até chegar em casa. Eu não queria atrair ninguém além da minha companhia e o ar reflexivo que levava pelos cantos era o meu encontro com o desligamento do mundo. Ainda bem que te achei sem precisar procurar porque isso nunca foi um objetivo ou algo que era necessário ter, mas que assim se tornou. Sempre tive a certeza de que você me apareceu por conta do destino e que nada nesse pequeno mundo poderia interferir em ter encontrar involuntariamente. Ah... E se eu te contar das incontáveis coisas que sinto saudade...

Era tão bom deslizar minha mão na tatuagem do seu braço esquerdo enquanto transávamos e era melhor ainda terminar aquilo ofegante, querendo mais. Não era apenas sexo, tinha algo a mais do que o tesão, eu sentia como se o amor penetrasse junto. Na embriaguez, a felicidade vinha em dobro e estar sob os seus cuidados era como receber amor extra. Sempre me lembrarei claramente do nosso primeiro dia, do seu primeiro cigarro, do meu primeiro vexame, da vez que me pegou no colo e da primeira grande felicidade ao teu lado. Começo a rir sozinha quando lembro da bagunça que fizemos no estacionamento daquele mercado, foi o nosso penúltimo dia, não dói mais. E sempre me lembrarei com um imenso carinho de quando ficamos deitados na grama, e eu envergonhada depois do vexame que dei e você completamente sereno cuidando de mim como sempre. Naquele dia, no nosso primeiro dia, disse com toda a certeza do mundo - que hei de levar comigo, que foi um dos dias mais felizes da minha vida. E foi.
Te amar não virou rotina porque mesmice cansa, mas você é o que sinto todo dia e não me canso de sentir, na alegria embriagada ou na sóbria tristeza.


Eis a questão respondida.

Leia ouvindo.


De repente senti vontade de compartilhar uma pergunta que respondi já faz alguns meses, não sei exatamente o motivo d'eu querer fazer isso, mas vindo de uma pessoa impulsiva isso já explica tudo.

Enfim, a pergunta era a seguinte: ''Gostaria que houvesse mais pessoas como você no mundo?''
E minha resposta - com pequenas correções, foi esta:

É uma pergunta bem complexa, mesmo. Porque primeiro procuro ser alguém que não irá fazer mal a ninguém, que busca não atingir alguém pelo mal que me causou e ainda mais por não ser do meu feitio. E nesse aspecto sim, gostaria que existissem pessoas como eu - por esse lado de mim, no mundo. Mas por outro lado, sou por vezes uma realista sonhadora, que não sabe lidar muito bem com os problemas e encará-los de frente, sem antes lamentar pelos cantos. Tenho o grande defeito de viver de braços cruzados e como se isso não bastasse, reclamo da vida que levo, que carrego como se fosse um peso que mal começou a ser arrastado por outras vidas de pessoas que me aguentam. Tenho sede de mudanças para o mundo, mas não faço nada revolucionário para ajudar. Mas acredito que só a minha vontade basta para que um dia eu consiga levantar daqui e mudar algo.
Como já diz uma música da Cat Power - Good Woman: ''I want to be a good woman and I want for you to be a good man.'' Essa vontade de querer ser um bom ser humano para fazer bem ao outro - amorosamente, ou não, é um grande passo.
Gostaria que existissem mais pessoas com boas intenções, logo, o mundo seria um lugar melhor.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sobriedad'embriagada.



Ainda não sei se é ironia ou hipocrisia escrever enquanto me encontro em um estado diferente do que me sinto estando misturada a outras coisas. Acontece que agora - felizmente, não estou completamente sóbria, mas tenho resquícios de sobriedade em mim, entende?
Então não me leve a mal, é algo simultâneo e me embriagar é somente o que tenho no momento para sentir-me feliz mesmo que momentaneamente. Amanhã eu conto os prejuízos.

É que. Eu sinceramente não sei o que seria da minha calma sem o cigarro nos momentos de estresse, porém são poucos os momentos em que posso ter um cigarro em mãos preso entre os meus dedos para chamar de meu deixando uma marca vermelha de batom. Por isso tantas e tantas vezes me vejo atordoada e com a calma que me resta por um fio. 
Não sei dizer o que seria de uma parte da minha felicidade se não me dedicasse a me embriagar de vez em quando, não que eu seja uma completa infeliz, só não sei explicar o quanto a bebida me preenche porque fico plenamente satisfeita quando busco refúgio nessas doses ficando completamente fora desse mundo trazendo à tona várias lembranças. E se eu tivesse um mísero cigarro em mãos estaria ainda mais longe de tudo estando distante fingindo um estado aceitável que não beirasse a depressão.
Eu amo apreciar tudo o que gosto sem moderação. 
...Eu amo tanto que nem sei.
Tarde demais, já chorei.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Adjetivar-se.


Seca como as folhas que caem do topo da árvore.
Chorosa igual a uma chuva passageira e forte de verão.
Azeda feito o leite amanhecido deixado fora da geladeira.

Amarga como o gosto da decepção.
Frustrante igual a uma expectativa não alcançada.
Desligada feito um botão onde basta relar para explodir.

Entediante como uma tarde de Domingo.
Perdida igual a um caminho sem direção, sem eira nem beira.
Dramática feito o teatro que nunca fiz e a comédia que nunca fui.

Ainda assim sou momentaneamente feliz quando ouço pássaros cantando livres antes de amanhecer, enquanto me prontifico para ir dormir. E quando deito me pergunto em que ponto tudo está errado, se o peso da culpa é somente meu ou se fui eu que virei do avesso e o mundo do inverso.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Desabafo, palavrões e o caralho a quatro.



Acho que todos nós temos em alguns momentos dessa vida esses ataques desnecessários de raiva, de propensão extrema a se entristecer pelo tédio, de insatisfação consigo mesmo. É natural que isso aconteça, porque se manter de bem com tudo é afastar a realidade e adiar cada vez mais a solução das suas aflições, a saída dos seus problemas. Não é lá muito normal manter em mente que não há motivos para preocupações e estar feliz o tempo todo. Forçar não é tentar. Felicidade não passa nem perto de ser fácil assim. E a não ser que você tenha razões por mais simples que sejam que te fazem abrir um sorriso por pelo menos 5 segundos, sua sincera felicidade instantânea estará longe de ser real e notada. Mas mesmo que eu procure cometer o erro de fugir da minha realidade às vezes, sei o quanto isso é atraso de vida. Tanto que já passei da hora de seguir adiante e por algum motivo não consigo. Essa estagnação traz um incômodo tão grande que apenas peço que não pergunte como vou sair disso. Não pergunte nada que eu não saiba responder.
Se eu pudesse voltar atrás, em um certo ponto da minha vida, concertaria a única merda da qual realmente me arrependo, um erro só, que ocasionou todo esse caos que enfrento hoje e agora, exatamente nesse instante. Ah, s’eu pudesse concertar o que me culpo até hoje de ter feito, talvez não estaria na situação fodida da qual me encontro. Mas naquela época estudar havia se tornado um fardo, não tinha o menor saco e hoje me sinto mais perdida do que.
Porra, nunca faça a merda que eu fiz da minha vida. Nunca deixe uma obrigação em segundo plano.
Quantas e quantas vezes ao dia me pego sorrindo por algo simples e minutos depois triste por coisa à toa. Não sei explicar e inefável não é, pois consegue me deixar mal durante um dia inteiro, até que eu deite inconformada querendo chorar ou gritar de tanta agonia pensando no que gostaria de ter de volta, em tudo o que se passou e não me sobrou nem a coragem de ir dizer o quanto sinto falta mesmo que não seja recíproco. E não conto isso p’ra absolutamente ninguém. Adianta contar a saudade? Então guardo o que sinto numa espécie de cápsula mental. Penso em ligar e dizer somente coisas boas, não essas que vivem me atormentando e que nem sei direito como chamar. Não consigo nem ao menos manter contato com quem não quero de jeito algum perder. E mesmo assim evito por ter receio de incomodar. Só meu coração vai dizer o que deixo em silêncio. Meus dramas continuam sendo escancarados, minha melancolia permanece em ascensão. Acredito que não deve existir quem suporte porque céus, eu sou tão chata e ultimamente ando assim mais do que o de costume. Fiquei amarga e nunca fui forte quanto já transpareci, nunca fui fraca como aparento ser. Acho que sei dosar, dizer que estou bem sem estar, coisa que já se tornou rotina. Ao menos palavrão é algo que digo fluentemente. E como é sincero, não? Caralho, como é bom libertar-se dessa maneira. Eu quero mesmo é resumir o que disse apenas dizendo que vão à merda quaisquer tipos de censuras, principalmente as sentimentais. O amor e um foda-se poderiam resolver tudo.
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Chá de sumiço.



Sumir procurando alívio no tempo que se dá é um presente que pode dar a si e que pode ser benéfico ao retornar depois de sentir que teve renovação em algum aspecto pela mudança que não quer dizer a ninguém até porque não se sabe qual é. Tal surpresa não pode ser estragada, ciente de que nem você mesmo sabe qual é. Existem momentos em que se abster de atenções é a cura de todo barulho que você fez sem a intenção e acordou atordoando a tantas pessoas que resolveu deixá-las em paz para procurar saber no tempo onde é que está a sua tranquilidade. Decidir se afastar pelo bem de todos não é lá uma decisão fácil de se tomar, pois talvez quando voltar, não saiba como restabelecer e amarrar os antigos laços da mesma forma que estavam antes, sem deixar que se sufoquem com a sua presença e você precise sumir de novo para afrouxar e dar espaço para que alguém respire, sinta e note sua folgada ausência. Sem contar a sua saudade, que você esconde como sujeira debaixo do tapete pra que ninguém te dê uma bronca quando for demonstrar e já ser tarde demais. Você é isso e só. Acostumou-se a ideia de que não sabe lidar muito bem com quem admira e gosta, tudo por culpa de um medo bobo de perder a ponta do nó que segura o afeto. Por isso você some. Some porque sua covardia lhe impede de permanecer aqui mostrando sinal de vida a todo o momento e acabar deixando todo mundo exausto e por aqui ó, contigo. Mesmo que sua segurança está em quem te passa apoio. Desaparecer não é fazer pouco caso de quem segura sua mão, apenas troca a atenção pela compreensão. Você foi, mas em algum momento volta. E na volta, vem melhor do que antes.

Dá tanto medo isso de ser um fardo para alguém. É um medo que tenho e é uma das piores impressões que posso ter. Desse jeito desengonçado de ser, posso empurrar alguém para fora da minha vida sem querer. Preciso saber dosar, aprender a não fugir sem avisar, precisar dar explicações sobre o tempo que resolvi tirar para tomar um ar, do contrário me sufocaria com a minha própria companhia.
Posso estar distante quando passo por perto, vivo perto e sou distante e pareço distante querendo estar perto. É – só, um modo de ser.
Lembrem-se de mim quando eu for tomar um chá e o preparo da minha volta demorar.
Mas enquanto eu estiver fora, por favor, não vá comprar cigarros.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Fuga em pensamento é alento.



Para se ler ouvindo.

Existe o momento em que se percebe que mesmo sem escapatória, você não pertence a este lugar. Que a vastidão não invade você e que ainda há um mundo belo por trás do caos que se quer explorar, mas as condições são desfavoráveis demais e não permitem que você vá de um jeito livre, sem amarras. É como se este lugar - do qual não se sabe como viver, sugasse suas forças e em troca lhe desse apenas desesperança. Você quer viver, mas fica contendo-se porque tudo lá fora parece tão inóspito para arriscar sua frágil vida. Você se questiona e chega a conclusão de que não quer passar o resto da sua breve vida aqui, então você foge, nem que seja somente através dos seus pensamentos porque de momento é a única coisa que te mantém confortavelmente distante.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Desperdice o peso, aprecie a leveza.

Mas o que seria de nós se não fosse a reclamação pelas coisas das quais estamos insatisfeitos? Não haveria nem um fundo de sentido em procurar melhoras. Mas se a reclamação for infundada, acaba por tornar-se em vão e um problema mal resolvido. E o que seria de nós se não quiséssemos chorar de tanto rir do que foi penoso e uma desgraça no passado, mas se tornou a graça no momento presente? Mas em resumo, o que seria de nós se não fosse pela busca dessa tal satisfação e do contentamento ou qualquer outro objetivo tão utópico o quanto? Lembrando que felicidade não se busca, é consequência. Mas por que procurar por respostas que nunca virão? Por que perguntar? ...Se o silêncio que reina, pode ser a resposta de tudo? Você não precisa querer saber, pois pode acabar se decepcionando com a verdade que é bonita, mas dói que é uma beleza. Imagine descobrir que tudo foi uma doce ilusão que amargou. E que agora é agridoce. Na vida você pode arriscar aos poucos, até o que menos interessa e o que mais importa. Ou pode ficar observando tudo com um ar de quem acha as questões existenciais insignificantes e uma perda de tempo, se preocupando em não exteriorizar o quão fundo vê que suas horas estão sendo desperdiçadas e observando todos seguirem suas vidas do melhor jeito que se permitem, enquanto sente que perde tempo e ganha despesas porque correr atrás do tempo perdido será uma obrigação, onde os seus ideais ficaram lá atrás parecendo que estão mais longe demais de serem alcançados. E você quer continuar, tentando. Dane-se quanto tempo leve, só não deixe que seus sonhos fiquem pesados de carregar. Deixe que seus objetivos sejam leves como uma nuvem e uma folha seca de outono, não sinta que são pesados como o céu e um tronco de árvore. Você escolhe, a vida é sua. A escolha é sua e cada escolha é um risco que se corre. Não espere por nada mesmo que certas coisas estejam destinas a acontecer, não se preocupe, irá acontecer. Não se desespere com tudo, pois nenhum empecilho pode ser maior do que a sua vontade. E se faltar desejo, alimente-se do que lhe der prazer.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Na falta de luz.

Ontem, seria um dia supostamente normal e até certo ponto foi. Isso, se eu não tivesse me dado ao luxo de prestar atenção aos detalhes, nas coisas simples. Não tenho nada para reclamar do dia de ontem. Primeiro que, é estranha a forma com que deixamos os dias passarem e por culpa das horas que passam depressa acabamos perdendo o tato interno e esquecendo de notar algum movimento que dê emoção ao dia que acabou e ficou sendo só mais um, com a mesmice de sempre e que os torna tão entediantes. E é incabível como deixamos sem a menor intenção, uma coisa dessas acontecer. Segundo que, deixar de prestar atenção nas coisas simples da vida e da natureza é desperdício de vida e de tempo, já que este passa correndo e quer que corremos juntos mesmo sem o fôlego ou a sede de viver de antigamente. E é isso que nos torna sem vida achando os dias cinzas mesmo com um calor infernal diante desse concreto e da natureza que se encontra escassa nas nossas cidades. Luxo é desnecessário porque nada se compara a simplicidade que pode sempre ser reaproveitada da melhor forma possível. Sentir as coisas simples torna tudo tão bonito e me culpo por não fazer isso sempre. Digo isso porque ontem, ao ter uma queda de luz por causa da maravilhosa chuva que caiu diante do céu cinza avermelhado, me irritei por ficar sem nada para fazer. E me irrito ainda mais comigo agora e ontem consciente um tempo depois, ao perceber que quando há luz, eu deixo de fazer o que pretendia para fazer nada. Vai ser diferente daqui pra frente. Ontem não pude ir à rua e tomar banho descalça sob o asfalto como fazia quando criança, mas vou observar e apreciar mais cada movimento da natureza. Pois ontem quando não tinha luz, apreciei ainda mais a luz da vela, fiquei na companhia da minha sombra e dei valor à chuva que caia. Passei a ver tal escuridão com outros olhos, com a beleza que merece e usufruindo cada de momento. Quando como fiquei deitada de olhos abertos e enquanto ouvia música, observava os movimento da cortina com a janela aberta sentindo o vento que batia. Foi um momento inefável. Agora eu peço que você aprecie as coisas simples quando a luz acabar, não deixe o momento passar em branco. Veja desde a gota d’água até uma tempestade com um olhar de amor pela natureza, feche os olhos e deixe o vento bater em sua face e algum dia crie coragem para tomar banho de chuva descalça (o) sem se importar com nada ao seu redor, só dê importância as coisas simples e singelas porque tudo é passageiro.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

De outrora para o agora.

Ainda mesmo ontem e não foi ontem, mas lembro como se fosse.
Eu era criança e quando eu fui sempre estive feliz sem saber como isso faria falta hoje. Andava livremente, corria como diversão e me sujava com o único medo de que minha mãe fosse brigar e brigava, e eu chorava sem saber que aquele choro não seria nada se comparado aos que já derramei. Hoje ela ciente que já estou grande o suficiente para não receber mais broncas, apenas me apóia ou se cala diante dos meus erros, erros que eu procuro não cometer para não magoá-la. Quando pequena eu era ingênua igual a um inseto que não sabe que está à mercê do perigo e pensava que quanto maior eu fosse, mais felicidade teria. E o clichê repetitivo que todos diziam de tentar ser alguém na vida ficou guardado na minha cabeça, como se fosse uma obrigação conquistar o que se deseja em determinada idade para ser plenamente feliz durante toda a vida. E depois, precisei me tornar alguém adulta para saber que isso não é o suficiente. Convivo com a sensação de nunca estar satisfeita porque sempre, seja lá o que eu não sei o que é, fica faltando. E essa busca incessante parece que está bem longe de acabar, pois ainda nem sequer começou e não sei como por onde começar. Nessa mesma e única infância sofri pequenos momentos que se tornaram uma marca permanente, um trauma, de pessoas que em momentos de fúria descontaram em mim a raiva que não souberam controlar. Já sofri agressões físicas e uma delas me tirou a respiração por segundos que mais pareciam horas e consegui ver momentos da minha vida passando diante dos meus olhos, o que dizem é verdadeiro. Posso dizer com toda convicção que eu sobrevivi e que valeu o esforço de tentar a qualquer custo voltar a respirar. Sabe, a crueldade humana é a que mais me deixa em estado de choque e confusa demais para entender como pode haver tanta maldade. Por isso é sempre benéfico ter como companhia criaturas como crianças e animais, pois não há maldade que vá lhe fazer desacreditar na humanidade. Mas de retorno ao que fui, criança, serelepe, franzina, desengonçada e cheia de sonhos, estes que já foram destruídos pelo tempo e corrompidos pelo mundo. Sonhos que não posso mais conquistar, somente sonhar. Sempre quis um futuro satisfatório, aos 15 ou até bem antes, já me imaginava ser independente com 18 anos e por isso a vida seria fácil, veja bem, o quão inocente eu era. Era, não sou mais. Ainda sou franzina, mas cheia de sonhos? Hoje não. Mas eu sempre quis ser livre, dona de mim mesma e do meu próprio nariz sem precisar cumprir com obrigações que não imaginei estar cumprido agora. Não é uma reclamação, é um fato, um triste fato. E cá estou eu, lamentando por não ter conquistado metade do que pretendia porque no passado vivia mais sonhando acordada do que aprendendo a viver na realidade. Dou valor pela vida que tive no passado, pois de alguma forma isso me fez crescer mais do que qualquer coisa que pude presenciar sem ter experimentado na pele. E as poucas e fantásticas experiências que pude ter me tornaram e vão me tornar alguém forte e decidida para enfrentar os obstáculos que forem impostos contra mim. Ainda assim, cada dia que passa me decepciono comigo mesma. Cadê aquela gana que tinha quando criança? Aonde foi parar? Por que me deixou só e não cresceu junto comigo, por quê? Eu respondo.
Porque quando a gente cresce é mais do que compreensível que as coisas acabem ficando para trás para que possamos aprender a caminhar sozinhos com os nossos próprios pés, é preciso que tenhamos a sensação de abandono para superar a sensação de que estamos apenas começando a conquistar a independência. Só que você nunca está só. Lembre-se de quem está contigo e siga. Eu não quero dar adeus ao que ficou lá. Hoje, com a minha infância lá atrás e perdida pelo caminho seguirei, não só, mas aprendendo a caminhar sozinha porque é preciso para aprender o máximo de si junto à descoberta da capacidade que hei de saber usar. Sei que não sei como começar, mas saber disso já é um começo.
Estou aqui, perdida e não sei por onde começo minha vida. Lá vou eu.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Comendo o ódio com amor.

Tenho dificuldade por tentar entender em qual momento devo parar. Ser menos impulsiva, se isso for possível ser. Ainda vou ter que matar muitas das minhas vontades para conseguir tal feito. Ainda vou ter que matar muitas das minhas saudades para o sentimento de falta me abandonar.
Nossas decisões sempre são uma parte do caminho que nós mesmos queremos guiar e mesmo que o destino bata a porta, temos sempre a oportunidade da escolha e de mudar o rumo das coisas. É uma droga não se ter o controle de tudo ao mesmo tempo que isso se torna emocionante. Não é à toa que as coisas acontecem por acaso já destinadas a acontecer. Acreditar naquilo que não se vê, é quando se pode enxergar além e não só do que está ao redor. É intocável, mas te atinge de qualquer maneira. O invisível vento assopra o topo da árvore, enquanto as formigas fazem seu árduo trabalho no chão que você pisa passando sem perceber os arredores. As situações ocorrendo por cima da sua cabeça, embaixo do seu nariz. Tudo tem vida com uma pitada de amor. Eu me vejo lamentando sem razão por tantos pequenos detalhes que perdi, chorando as pitangas encima do leite já derramado. Sendo que, no fundo me agradeço pela coragem de ter perdido a cabeça e seguido o coração. Confortando-me ao pensar que realmente valeu cada esforço na tentativa de encontrar o esperado e finalmente achar. Se eu não houvesse me arriscado, nada poderia reclamar e seria monótono não ter o que contar aos conhecidos as alegrias que vivi.
O trânsito com o atraso do ônibus, a pressa sob o balanço do trem, poluição e o cinza laranja-amarelado dos dias não me incomodavam enquanto eu estivesse preguiçosamente aonde queria exatamente estar. Até uma simples ida ao mercado, se tornara um grande evento. São nas pequenas coisas que sou apegada e que nada permita o rompimento. Parece inocência ou tolice minha por querer e ainda acreditar, mas só alguém descrente julga inexistente sendo fraco o suficiente para entregar de vez os pontos só porque o resultado não foi o aguardado como na expectativa. Eu que nunca me vi insistir tanto em algo, chega a ser psicótico e fora do meu controle. Porque a teimosia tem de servir p’ra alguma coisa e ser eficaz. E cada pessoa que passa pela nossa vida contribui de alguma forma benéfica ou não, cabe a nós usufruir e extrair as experiências. Muita coisa irá mudar e soar como a mesma.
Vou ser mulher, decidida e talvez amadurecida o bastante. Com umas quedas emocionais para não perder o costume, com firmeza sobre preferir Rolling Stones aos Beatles, frio o bastante para me aquietar, calor o suficiente para ir tomar cerveja, decidir depois de anos tocar violão com um olhar carinhoso sobre a guitarra, cortar o cabelo descontando cada vez que tiver uma frustração e assim correr o risco de ficar careca por isso, admirar de longe um vinil que nunca será meu, aceitar o vício e só bancá-lo quando me couber. Ser natural ao parecer indiferente, ser diferente e parecer natural, arrancar coragem e telefonar embriagada para o número que ficou guardado à tanto tempo que amarelou e restabelecer a ligação, acordar com a sensação bastante parecida com a antiga feliz vivência da infância, ser tão amorosa quanto pornográfica, parecer satisfeita mas nunca estar conformada, ou vice-versa. Aceitar por tempo indeterminado que a distância é só um fator que vai revitalizar e fortalecer os laços sem que ambos fiquem acomodados e nunca mais se encontrem.
E se não for pedir muito, encontrar minha paz de espírito vivendo de simplicidade.

quinta-feira, 1 de março de 2012

In head smashed.

Remediar, tentando ao menos seguir sem precisar enxergar tudo o que ocorre ao nosso redor. Como uma forma de amenizar, armazenando tudo para depois. Até que chega o momento em que transborda, não se pode mais aguentar o sentimento de pressão apertando o que se tem por dentro sem demonstrar por fora. Até que explode de vez, por uma hora seguida você desaba sem se importar com o tamanho do escândalo que possa fazer e o único incômodo é não conseguir tirar de si tudo de uma única vez. Ou botar para dentro de forma confortante.
Quando menos se espera com um ar de quem nada vê, mesmo que momentâneamente aparente ser a solução praquilo que se vive ignorando é por onde mais se engana... Cairá sobre nossas cabeças com tal intensidade que nossos pensamentos vitais não aguentem a pressão. Não sei nada. Nunca soube de nada sobre nada. Foi por isso que explodi. E que melhor maneira de extrapolar quando é isso que mais se deseja.
Se existe algo que destrói a mente, é ter um pensamento a frente achando que se pode preparar antecipadamente para o quê ainda vai acontecer. Nada marca horário para acontecer, a gente que tem relógio para aguardar. Existem as terapias; que é o que estou fazendo nesse exato momento, entre outras terapias me impedem de enlouquecer. De ocupação é que se é possível ir-se levando. Quando vou levando, vou indo, sem ter palavras para decifrar como. Coloco vírgulas para prolongar e não chegar aos pontos finais. Recuso pontos finais sem a minha permissão, talvez os outros se intrometam e botem um ponto em seus devidos lugares ou nelas mesmas. Mas não façam isso antes do tempo. Querer é necessitar. Tenho menos do que preciso e não é uma obrigação ter tudo o que quero.
Com calma e mesmo sem jeito, a gente vai levando. Mesmo nas situações mais drásticas, quando é para hoje, é bom que se tenha de arranjar uma forma de arrancar paciências para a vida. Outra, que não perde por esperar querendo não nossas almas e sim nossa loucura. Observando de longe a situação escapar do controle, a vida sair dos trilhos e continuar fingindo um bem-estar. E fingir estar bem não é hipocrisia, é poupar-se de contar os problemas.
Acho que nasci para ser a primeira a rir por último. E viverá o mesmo, quem souber me entender.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

De nothing

Acabei escorregando no que eu mais evitava. Se eu fico sem saber o que fazer da vida é como se sentir perdida com uma preocupação a mais vendo à distancia a solução praquilo que se teme viver ou o medo de saber como se vive. Ser simples, é o que precisamos ser, não é simples ser o que precisamos.
Ignorar os fatos à medida que eles vão se acumulando como o pó encima daquilo que não se usa mais, é se afastar aos poucos da realidade e ao redor de si se deixar intocável.
Nada, é como estou, nada é como eu, nada é como tinha que ser, nada é como eu queria como fosse, nada se tornou para sempre até o nada significar muito. Porque se eu fiquei sem nada foi por ter perdido tudo que necessitava. Mesmo assim não trato as coisas como se nada mais importa.
Nostalgia me deixa vulnerável, é destrutível guardar belas lembranças consigo, elas estão sempre lá e você não. É fácil ser díficil sem reciprocidade, e viver isso aqui anda me matando, sabe. Isso não é sentimentalismo de merda, isso dói pra caralho se quer saber.
As maiores loucuras são as atitudes sóbrias. Mas pra viver isso aqui, só mesmo bêbada. Eu poderia parar de fumar se quisesse, mas antes de cortar qualquer relação com algo, eu primeiro não deveria gostar ao ter experimentado. Nunca vou ser livre da vontade de se fazer o que me vem a mente, sou impulsiva sem pensar duas vezes, duas vezes. Passei a ser pessimista a partir do momento em que soube a resposta da pergunta: ''Vai ficar mais fácil?''. Agora, é preciso que saibam que não tenho má vontade. Não, é falta disso. Só preciso mais de incentivo por parte de mim mesma. Todos precisam de algum objetivo que nos façam querer mudar pra sermos alguém melhor, preencher um espaço vazio com que está parado só ocupando o vazio, mas isso só se torna uma necessidade se você quiser e a gente se afoga em necessitar de necessidades.
Não sei em que momento eu perdi toda a noção de vida, vivendo situações onde foi impossível sair ilesa. Eu sinto como se fizesse parte de nada agora.
Toda essa história do mundo acabando desregradamente e vai engolir todo mundo junto, digo, todo o mundo mesmo. Toda a população que contribuiu e não contribuiu para o fim.
Se a gente não fez nada, significa também que fizemos disso um modo culposo de viver.
Mesmo que eu fique sem respostas por certas coisas que acontecem, por mais que não dê certo e eu queira correr pra longe dos problemas praticando desapego a tudo que me faz mal psicologicamente destruindo o que já não é mais meu fisicamente, tendo em mente que sempre vai ser. Eu vou seguir sozinha, calada e triste por ter as partes da vida dividida, uma parte aqui, outra acolá.
Por mais desanimada que eu esteja, eu posso fazer isso sozinha.
Agora definitivamente mudei a confusão do meu rosto e meu ponto de vista, sob os meus pés.
E esse é o ponto, de tudo. E de nada.