quarta-feira, 29 de maio de 2013

Desmoronei e ninguém viu.

Por muitas vezes encontro uma maneira de amenizar tudo o me que dói profundamente e tira todo o meu chão. Sempre acumulo mais do que consigo suportar e quando não consigo mais aguentar acabo explodindo internamente, e ninguém nota porque minhas expressões continuam intactas, mesmo quando o caos se instala aqui dentro. Todos os meus desastres internos passam despercebidos. Então vivo passando por aquela fase em que começo a me esgotar e definhar, é exaustivo não saber de onde vem tanta sensação que dilacera o meu interior, essa minha inconstância e desajuste emocional contribui e é o que mais me machuca, que fere. Não sei o que é passar um dia intacta, sem ter a mente ou o coração atingido por algo não importando o seu tamanho, o impacto que isso tem em mim é transformado em alimentação para a alma, e dependendo do que é às vezes dói e, por fim, torna-me uma inesgotável fonte de agonias e melancolia. Costumo absorver todas as energias do que transmitem, seja através de palavras ou de algum acontecimento, seja bom ou não. E até que eu consiga pensar em um modo de reverter um estado destrutivo, o corpo insiste em se manter do jeito que está, recusando as forças restantes. Os raros instantes de tranquilidade que possuo hoje é mais importante do que nunca antes fora em toda a minha vida, mas tal alívio - que não é duradouro, faz o peso voltar mais carregado do que antes. Ser tão intensa assim acaba me matando aos poucos quando tudo o que sinto é deixado guardado em um canto meu para que eu possa demonstrar quando tiver a chance, desaguando isso feito uma chuva torrencial de verão. Quando eu acho que posso passar e suportar um bocado de coisa sozinha, algo surge para provar que não e destrói o pensamento ingênuo construido com base na minha fragilidade emocional, então abro os olhos e vejo que estou em partes como sempre estive, observo que apenas alguns desses pedaços que sobraram é que podem me ajudar fazendo com que eu me levante só, mas não sei separar e escolher o pedaço que me fará forte. Acontece que, alguns momentos tudo o que preciso é que tal alguém suporte comigo as minhas confusões, não seria preciso nenhuma palavra, nossa outra companhia poderia ser o silêncio enquanto minha mão estivesse segura em outra, e o meu corpo morando em um abraço. Mas eu vou entender se eu não for ouvida porque a distância abafa os sons, acontece que eu cansei de clamar, de dissimular a tristeza que sinto a partir do meu despertar e antes mesmo de dormir. Queria ser aquele pássaro que canta no outro dia, feliz por estar vivo. Pudera eu dizer a verdade quando digo que estou bem, quando na verdade a realidade é bem outra, é essa que escondo entre incômodos e insatisfação, o desgaste é como se eu estivesse debaixo dos escombros de uma casa que desabou em cima de mim, e eu ainda não sei como me levantar diante da minha fraqueza, não sei quando eu finalmente vou poder respirar aliviada por dar sinal de vida, daqui ninguém consegue ouvir meus gritos de desespero. Todo dia eu me pergunto o que estou esperando e sei que não vou encontrar a resposta e nem a saída sozinha, não enquanto sou o problema que ainda não tem solução.

domingo, 19 de maio de 2013

Data desconhecida.



Era um dia de festa e eu comemorava, principalmente, a minha saída de casa após muito tempo mofando nesse sufocante e mísero lugar. É certo que até o final do dia, enquanto este não acaba, nunca sabemos o que pode ocorrer, das mais variadas formas, dos mais distintos jeitos de como o dia pode e há de terminar. E se o cansaço é igual, o dia é diferente. É o detalhe sempre fazendo a diferença. Enquanto fui totalmente desesperançosa e acanhada pelo mundo, me vi com um sorriso no rosto pelo reencontro. Foi como antes, todo mundo mudou, mas estavam todos lá como eram em sua essência, com as suas características marcantes. E lá pude ser eu mesma, como sempre fui e como sempre me aceitaram. Estava de volta e queria empurrar um pouco a vida e as confusões para o olho da rua, pelo menos até que eu voltasse para buscá-las perdidas no portão de um desconhecido aleatório e sem relevância para mim. Nunca pude deixar de lado os números e detalhes dos quais eu sempre achei que me perseguiam e que sei que vão me perseguir enquanto. O número que me fazia de vítima era o sete, de novo, e o que me perseguia era viver situação semelhante com detalhes parecidos. Eu não sei mais no que acreditar, se é na coincidência ou no destino. Vou juntar ambos e, na dúvida, acreditar. Mas por mais que as coincidências se façam sempre presentes, é o destino que atinge e decide mudar o rumo. Naquele dia eu resolvi ficar e chorei abraçada com o vento em um lugar desconhecido, me sentindo uma completa estranha. Então pude saber como é olhar a sua cara embriagada no espelho do banheiro e sair de lá fingindo estar intacta. Voltando ao conforto de desabafar e continuar buscando um fio de vontade.

sábado, 18 de maio de 2013

Retalhos.


Faz mais de um ano e nem o cheiro, eu ainda choro. O toque ainda é sentido, daqueles dedos entrelaçados matando calorosamente a saudade, restou apenas a ansiedade que traz frio. Aquele último abraço foi ficando solto e frouxo, depois disso algo no ar dizia que não haveria mais direção, apesar do trem ter um rumo certo. Uma volta partida onde se retorna sem o coração, que foi deixado lá.
É de se pensar que nada se compara à dor da despedida e não se mede o sofrimento que virá com a distância. Ir com e voltar sem. As mãos soltas e livres não sabem onde se segurar, ver a queda delas depois de apontar o topo do céu e chegar ao fundo sem chão acaba sendo dolorido. Ver o quão frágeis somos diante do amor é de fazer qualquer um cair em prantos, ou adiar as lágrimas até que se compreenda isso. Ficar em pedaços é tê-los espalhados por aí, o restante são marcas e lembranças eternas enquanto você dura. Se esse conjunto de palavras não faz sentido hoje, pode fazer algum dia.
Nada se ajeitou, eu não tomei jeito. Cada dia foi visto e vivido com um pouco de esperança, que há pouco tempo reacendida. Gosto de pensar que é natural passar horas imaginando coisas quase utópicas e servir como distração de tudo. Acontece que eu sonhei com isso todos os dias e algo me disse que tal insistência se tornaria real por acreditar e então eu vi, juro que vi aquele abraço sendo dado novamente. Já faz tempo que espero e não tenho pressa alguma, pois (você) é algo que esperaria a minha vida toda.

sábado, 11 de maio de 2013

Pra você.


Continuo escrevendo pra você. Se lembra quando eu disse que faria isso? Disse que escreveria porque sabia que nossa história seria marcante, que restariam lembranças e por isso não existiu fim, pois você sempre estará presente no laço que criei de tanto que me marcou. E - como se não bastasse, lembro de você todo dia sem falta. Não sei se você lembra de tudo o que eu disse, mas se ler este pequeno texto saberá que estou falando de ti. Então, por favor, quando terminar de ler isso venha correndo me dizer porque preciso saber que você também se lembra do que nós tivemos. Se bem que, eu sei que sim...

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Reflexos.


Leia ouvindo.

Acho incrível a luz lá do lado de fora que vem e passa por dentro do banheiro, saindo da porta reflete na parte em que um móvel foi colocado. Dá vontade de registrar esses momentos onde as madrugadas são acolhedoras. Uso minha mente como câmera, capto a iluminação com as lâmpadas dos cômodos apagadas. Cruzo este pequeno espaço, vou para um cômodo até o outro e mesmo com os poucos segundos de caminhada, é uma oportunidade que levo comigo de aproveitar e pensar na vida. Mas paro no meio do caminho porque há um espelho. Olho minha imagem refletida e faço uma careta após me achar bonita por míseros milésimos de segundos, então, sorrio, pois não há nada que eu possa fazer sobre. E reflito sobre o quanto é bom ver defeitos em si e aceitá-los como são, como fazendo parte da sua bela imperfeição. Que bom que ninguém é perfeito e que podemos no aceitar dessa mesma forma.