terça-feira, 24 de setembro de 2013

X.


Uma leve brisa, feito um sopro frio e invisível ao pé do ouvido, um perfume sentido que não se sabe como e de onde vem enquanto você caminha ao lado de sua sombra por uma rua úmida pois acabara de chover. Já é noite, todos se trancam em suas residências e você resolveu sair para cumprir essa vontade repentina que te deu. Você pisa em poças com o gosto bom de se deixar molhar, de deixar que seu calçado fique encharcado e sua barra da calça também, assovia uma canção antiga andando em passos firmes no ritmo da batida musical que está na sua cabeça, e não importa se alguém vai te olhar com ar de estranheza da sacada no aconchego de sua casa, você está feliz em poder cantarolar ao mesmo tempo que aprecia o silêncio que pairou. Não há nada aberto, nem mesmo bares os bares, os senhores aposentados estão tomando sopa de feijão ao invés de cerveja trincando. Tudo está vazio, é como uma imensidão de nada, e desse jeito fica impossível não se identificar, parece parte do seu interior neste momento. Os gatos passam, as folhas caem, o céu se abre e talvez o sol apareça amanhã. Hoje você sentiu coragem de sair só e se deixou umedecer, mas não ficou tão só quando os postes iluminaram a rua para que pudesse ter a companhia da sua sombra e foi além das lágrimas que escorreram no banho, as gotas que escorrem agora se juntam formando as poças d'água que você não hesitou em pisar no início da caminhada. Parou e pensou, a vontade se passou como nasceu, assim, de repente. Você olha pra trás e não sabe mais como voltar, não sabe nem dizer se tem volta ou recomeço. Não sabe por onde começar, não sabe dizer como acabou. Tem certeza de que acabou? Suas mãos gélidas e inquietas dentro do bolso da sua jaqueta indicam que sim, seu coração teima em dizer que não, e a vontade repentina que aparece agora é a de chorar, coisa que já te cansou porque a graça está em beber para poder liberar seu pranto. É alívio e sufoco, é uma procura de tentar se conter o quanto e como puder porque ainda existe um abismo aí dentro que foi aberto há algum tempo, e o chão que se abriu sob seus pés naquele dia não se fechará como aquele simples zíper o fez em sua jaqueta. É verdade que suas dores perduram? Dói como uma ferida que foi aberta pela manhã, o choro só vem à noite. Então, você volta para casa com um baita cansaço mental, se deita de barriga vazia e dorme até não querer mais...


(Estou aqui para cessar o seu pranto, para aliviar e tornar bela suas dores. Estou aqui para cuidar de você sem que me note para que me sinta como o vento. Estou aí, mas você não vê. E você, não vem?).

sábado, 10 de agosto de 2013

Você vai. Eu vinho.

O gosto do que vivi com você permanece tão vivo quanto o sabor do vinho que tomei na noite passada, não me esqueci de nada que aconteceu entre os nós das nossas pernas nos lençóis. Estou roxa pela marca das lembranças que tenho, me bateu saudade, então me embriago porque isso é tão necessário quanto o ato de amar. Manchei um pedaço de tecido que já estava sujo como os pratos que me alimentei do seu amor, me lavei quando cai em prantos por não tê-lo presente, me entorpeci novamente e o que não tinha preço eu paguei com os únicos trocados que tinha em um bolso rasgado. Todas as vezes que te encontro em meus sonhos é como se eu revivesse o que tivemos, é como se a realidade fosse essa, como se eu não tivesse outra vida, e assim permaneço adormecida, sem vida com uma memória viva. Mesmo dormindo, ainda estou de pé. Faz tanto tempo que não o vejo fora dos meus devaneios, e cada vez que o nosso distanciamento acontece pela falta de tato, dói como se fosse uma despedida onde minha parte intocável se parte. Parece que você se foi e não vamos mais ser o que fomos, então bebo a saudade - mas não mato a sede, que você deixou desde a última despedida. Em um cálice, eu me calo.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Sem nexo, sem cabimento


Não caber em si é insuportável, um sufoco tamanho viver assim. É tanto eu para pouco ser, isso não prende, mas também não te deixa solta. Ficar pairando nessa falta de ar, não dá.
Na Lua é onde você queria estar. Talvez estando lá entregando seus desabafos de modo solitário, ela entenderia que pertencer é um fardo, estar em crescente decadência causa desolação e ficar cheia te desgasta e esvazia tornado você minguante. Mais agoniante do que não caber em si - sem ter para onde ir, é ficar e ver que não pertence a lugar algum. Nem aqui nem acolá, você não sabe para onde vai, ou como ir. O trem de fuga pra sair sem rumo é criação sua, o que existe tem um ponto final e sabe onde vai chegar, você não, nunca soube e não para de procurar. Todos estão em tons pastéis agora, você é cinza depois das chamas. Do chamado abafado, o grito contido. Se tem choro, corre pro banheiro, se olha no espelho e admira metade do rosto avermelhado. Mudar em silêncio em um mundo barulhento, voltar a sentir uma dor que parecia adormecida, acordar um trapo, engolir sapos, chorar no café, permanecer com uma única vontade até o final do dia, deitar com os pensamentos congestionados, um quer passar, outro vem, não ter paz, ser mais confusa do que coisas aleatórias ditas sem que mereçam compreensão... Ufa! Isso aqui não tem nexo, mas faz sentido na minha cabeça, as palavras também desejam ser livres. Você não sabe como dizê-las ao mesmo tempo que não quer mais parar de escrever. Pronto, já fiquei sem direção, e se isso continuar terá menos cabimento e, cá entre nós, nem sobrará nada para entender. Eu não sei mais com quem falar e quero ficar um dia inteiro muda, mudando.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Dia com gosto de nostalgia


Faz um frio danado lá fora e me sinto quente por dentro com a lembrança que tenho desse dia primeiro de Julho. Faz dois anos hoje, eu ainda sinto o gosto vivo daquele inefável instante que o vi parado ali, tudo parou quando me deparei com ele a minha espera. Aquele foi o nosso momento, simplesmente era pra ser. Não sei se estou lembrando disso sozinha, mas não vou perguntar se a sua memória também guardou tal data porque agora não faz sentido, apenas basta nunca me esquecer do dia que te conheci.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Fiz sem respirar.


Eu morro um pouco a cada ida
O dia de hoje não faz sentido
Uma de minhas partes com vida
Se foi sem levar de mim um pingo

As minhas esperanças são caras
Tenho calmarias passageiras
Dentro de mim só piso em brasas
E partes minhas já foram inteiras.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Desmoronei e ninguém viu.

Por muitas vezes encontro uma maneira de amenizar tudo o me que dói profundamente e tira todo o meu chão. Sempre acumulo mais do que consigo suportar e quando não consigo mais aguentar acabo explodindo internamente, e ninguém nota porque minhas expressões continuam intactas, mesmo quando o caos se instala aqui dentro. Todos os meus desastres internos passam despercebidos. Então vivo passando por aquela fase em que começo a me esgotar e definhar, é exaustivo não saber de onde vem tanta sensação que dilacera o meu interior, essa minha inconstância e desajuste emocional contribui e é o que mais me machuca, que fere. Não sei o que é passar um dia intacta, sem ter a mente ou o coração atingido por algo não importando o seu tamanho, o impacto que isso tem em mim é transformado em alimentação para a alma, e dependendo do que é às vezes dói e, por fim, torna-me uma inesgotável fonte de agonias e melancolia. Costumo absorver todas as energias do que transmitem, seja através de palavras ou de algum acontecimento, seja bom ou não. E até que eu consiga pensar em um modo de reverter um estado destrutivo, o corpo insiste em se manter do jeito que está, recusando as forças restantes. Os raros instantes de tranquilidade que possuo hoje é mais importante do que nunca antes fora em toda a minha vida, mas tal alívio - que não é duradouro, faz o peso voltar mais carregado do que antes. Ser tão intensa assim acaba me matando aos poucos quando tudo o que sinto é deixado guardado em um canto meu para que eu possa demonstrar quando tiver a chance, desaguando isso feito uma chuva torrencial de verão. Quando eu acho que posso passar e suportar um bocado de coisa sozinha, algo surge para provar que não e destrói o pensamento ingênuo construido com base na minha fragilidade emocional, então abro os olhos e vejo que estou em partes como sempre estive, observo que apenas alguns desses pedaços que sobraram é que podem me ajudar fazendo com que eu me levante só, mas não sei separar e escolher o pedaço que me fará forte. Acontece que, alguns momentos tudo o que preciso é que tal alguém suporte comigo as minhas confusões, não seria preciso nenhuma palavra, nossa outra companhia poderia ser o silêncio enquanto minha mão estivesse segura em outra, e o meu corpo morando em um abraço. Mas eu vou entender se eu não for ouvida porque a distância abafa os sons, acontece que eu cansei de clamar, de dissimular a tristeza que sinto a partir do meu despertar e antes mesmo de dormir. Queria ser aquele pássaro que canta no outro dia, feliz por estar vivo. Pudera eu dizer a verdade quando digo que estou bem, quando na verdade a realidade é bem outra, é essa que escondo entre incômodos e insatisfação, o desgaste é como se eu estivesse debaixo dos escombros de uma casa que desabou em cima de mim, e eu ainda não sei como me levantar diante da minha fraqueza, não sei quando eu finalmente vou poder respirar aliviada por dar sinal de vida, daqui ninguém consegue ouvir meus gritos de desespero. Todo dia eu me pergunto o que estou esperando e sei que não vou encontrar a resposta e nem a saída sozinha, não enquanto sou o problema que ainda não tem solução.

domingo, 19 de maio de 2013

Data desconhecida.



Era um dia de festa e eu comemorava, principalmente, a minha saída de casa após muito tempo mofando nesse sufocante e mísero lugar. É certo que até o final do dia, enquanto este não acaba, nunca sabemos o que pode ocorrer, das mais variadas formas, dos mais distintos jeitos de como o dia pode e há de terminar. E se o cansaço é igual, o dia é diferente. É o detalhe sempre fazendo a diferença. Enquanto fui totalmente desesperançosa e acanhada pelo mundo, me vi com um sorriso no rosto pelo reencontro. Foi como antes, todo mundo mudou, mas estavam todos lá como eram em sua essência, com as suas características marcantes. E lá pude ser eu mesma, como sempre fui e como sempre me aceitaram. Estava de volta e queria empurrar um pouco a vida e as confusões para o olho da rua, pelo menos até que eu voltasse para buscá-las perdidas no portão de um desconhecido aleatório e sem relevância para mim. Nunca pude deixar de lado os números e detalhes dos quais eu sempre achei que me perseguiam e que sei que vão me perseguir enquanto. O número que me fazia de vítima era o sete, de novo, e o que me perseguia era viver situação semelhante com detalhes parecidos. Eu não sei mais no que acreditar, se é na coincidência ou no destino. Vou juntar ambos e, na dúvida, acreditar. Mas por mais que as coincidências se façam sempre presentes, é o destino que atinge e decide mudar o rumo. Naquele dia eu resolvi ficar e chorei abraçada com o vento em um lugar desconhecido, me sentindo uma completa estranha. Então pude saber como é olhar a sua cara embriagada no espelho do banheiro e sair de lá fingindo estar intacta. Voltando ao conforto de desabafar e continuar buscando um fio de vontade.

sábado, 18 de maio de 2013

Retalhos.


Faz mais de um ano e nem o cheiro, eu ainda choro. O toque ainda é sentido, daqueles dedos entrelaçados matando calorosamente a saudade, restou apenas a ansiedade que traz frio. Aquele último abraço foi ficando solto e frouxo, depois disso algo no ar dizia que não haveria mais direção, apesar do trem ter um rumo certo. Uma volta partida onde se retorna sem o coração, que foi deixado lá.
É de se pensar que nada se compara à dor da despedida e não se mede o sofrimento que virá com a distância. Ir com e voltar sem. As mãos soltas e livres não sabem onde se segurar, ver a queda delas depois de apontar o topo do céu e chegar ao fundo sem chão acaba sendo dolorido. Ver o quão frágeis somos diante do amor é de fazer qualquer um cair em prantos, ou adiar as lágrimas até que se compreenda isso. Ficar em pedaços é tê-los espalhados por aí, o restante são marcas e lembranças eternas enquanto você dura. Se esse conjunto de palavras não faz sentido hoje, pode fazer algum dia.
Nada se ajeitou, eu não tomei jeito. Cada dia foi visto e vivido com um pouco de esperança, que há pouco tempo reacendida. Gosto de pensar que é natural passar horas imaginando coisas quase utópicas e servir como distração de tudo. Acontece que eu sonhei com isso todos os dias e algo me disse que tal insistência se tornaria real por acreditar e então eu vi, juro que vi aquele abraço sendo dado novamente. Já faz tempo que espero e não tenho pressa alguma, pois (você) é algo que esperaria a minha vida toda.

sábado, 11 de maio de 2013

Pra você.


Continuo escrevendo pra você. Se lembra quando eu disse que faria isso? Disse que escreveria porque sabia que nossa história seria marcante, que restariam lembranças e por isso não existiu fim, pois você sempre estará presente no laço que criei de tanto que me marcou. E - como se não bastasse, lembro de você todo dia sem falta. Não sei se você lembra de tudo o que eu disse, mas se ler este pequeno texto saberá que estou falando de ti. Então, por favor, quando terminar de ler isso venha correndo me dizer porque preciso saber que você também se lembra do que nós tivemos. Se bem que, eu sei que sim...

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Reflexos.


Leia ouvindo.

Acho incrível a luz lá do lado de fora que vem e passa por dentro do banheiro, saindo da porta reflete na parte em que um móvel foi colocado. Dá vontade de registrar esses momentos onde as madrugadas são acolhedoras. Uso minha mente como câmera, capto a iluminação com as lâmpadas dos cômodos apagadas. Cruzo este pequeno espaço, vou para um cômodo até o outro e mesmo com os poucos segundos de caminhada, é uma oportunidade que levo comigo de aproveitar e pensar na vida. Mas paro no meio do caminho porque há um espelho. Olho minha imagem refletida e faço uma careta após me achar bonita por míseros milésimos de segundos, então, sorrio, pois não há nada que eu possa fazer sobre. E reflito sobre o quanto é bom ver defeitos em si e aceitá-los como são, como fazendo parte da sua bela imperfeição. Que bom que ninguém é perfeito e que podemos no aceitar dessa mesma forma.

sábado, 27 de abril de 2013

Passou.



O tempo vai passando e logo se percebe que a infância é só lembrança, que a inconsequente adolescência se foi, que a fase adulta é fatigante e, não menos importante, que a vida é mesmo curta.

terça-feira, 16 de abril de 2013

De partida, sem despedida.

Os olhos fundos e marejados, a ressaca nem passou porque não veio. A aparência cadavérica, sem vida e castigada pela tristeza resolveu ficar. Não tinha mais cor, era pálida e tinha os dedos magros. Ficou frágil, em preto e branco. Suspirava a cada cinco minutos, esforço que já parecia muito e não aliviava em nada. O sorriso foi transformando-se em um risco na face, depois disso não se abria mais, fechou-se. Foi morrer longe, se deixando sentir a brisa do vento que invadia o seu esconderijo, aquele resto de ar foi uma das poucas coisas que a manteve viva, a última visita que recebeu. Não deixou uma carta e nem viu o fim do mundo chegar, acabou-se ali. Ela partiu, foi em pedaços e pede perdão por ter se deixado levar.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O olhar que não vê as coisas que se encobre do mundo.

Quem te vê passar não sabe por onde os seus pés já andaram, não sabe por quem o seu coração bate de tanto amor, não sabe por quais motivos seus olhos choraram, não sabe das suas frustrações cotidianas. Quem te vê passar apenas enxerga só mais uma criatura na multidão, mas ninguém sabe as coisas vastas que se passam aí dentro de você por mais que as indiretas sejam dadas, por mais que se queira transparecer através de um grito, e não transparece e muito menos se grita, pois vão dizer que você endoidou com algo que só faz sentido no seu interior. E você não sabe como, quando e onde, mas acontece. Alguma coisa sempre acontece internamente e vai de dentro pra fora. Vão notar, dizer que você mudou, então diga que você apenas começou a se descobrir, e isso é somente o seu novo ''eu'' que ninguém precisa aceitar, muito menos quem só te viu. Pois quem te vê passar, não sabe quem é você.
Ainda não sei o que será de mim, eu pensava que só ia me desesperar com o futuro e me enganei. Descobri que o mundo é um lugar muito mais assustador do que imaginei que pudesse ser, isso aqui me intimida e me faz dar alguns passos para trás antes de tentar ir em frente. Mesmo andando cabisbaixa por aí, eu não sei fingir que todo mundo não existe, não vou ignorar a existência do esquecido e queria passar despercebida como quem é ignorado. Eu não queria ser notada pela estranheza, por ser franzina e carregar uma timidez que faz um estardalhaço exatamente por gritar que é excessiva. Não queria passar uma imagem do que não sou, mesmo sem levar em conta tudo o que pensarem de mim, pois quem me vê esperando o ônibus não sabe quem eu sou e do que sou feita, apenas criam uma imagem de mim, então quando entro naquele ônibus as impressões que tiveram são levadas embora, são passageiras. Tudo bem vocês acharem que sou uma moça covarde que precisa párar de adiar a vida por causa da timidez, mas tenho vontade de me esconder cada vez que alguém me fita e observa como se eu fosse um ser de outro mundo, e quem me dera ser. Sei que não posso fugir das pessoas que fazem o mundo, sei as coisas que devo enfrentar, principalmente aquelas que me causam medo. Só que minha vontade é andar sem precisar ficar acuada com tantos olhares, eu espero algum dia superar o medo de sair por alguns motivos bobos e superar os traumas pesados. Não sei como serei vista em cada canto e nem sei como sobreviver a este mundo, mas certamente não faltará oportunidade de viver e sair por amor.

terça-feira, 26 de março de 2013

É absurdamente eu.


Fiz um teste de personalidade e confesso que inicialmente não levei tão a sério pensando ser só mais um, por já ter feitos outros testes que não me surpreendiam tanto no resultado, me enganei bonito. O modo como o teste é feito é de uma inteligência admirável, você realmente se coloca em teste, se analisa e passa a responder da maneira mais sincera possível, porque é assim que deve ser. Enquanto lia o meu resultado não sabia se ria ou se chorava com tamanha identificação. Na verdade eu ri e quase chorei, pois o teste praticamente me descreveu melhor do que eu poderia fazer em anos de vida conhecendo-me. Bem, não vou continuar relatando quando vocês mesmos podem tirar a prova, então aqui está o link do teste: http://inspiira.org/ Faça-o com calma, leve o tempo que precisar e se conheça melhor. Agora deixo o resultado do meu teste, não sei se alguém irá ler essa imensidão toda, mas caso queira me conhecer melhor do que eu poderia tentar explicar, é bom que tome fôlego e leia até o fim.

INFP - O Idealista.

Seu modo principal de viver é focado internamente, lidando com as coisas de acordo com a maneira com que você se sente quanto a elas, ou de acordo com a maneira com que elas se encaixam no seu sistema de valores pessoais. Seu modo secundário é exterior, através do qual você absorve fatos principalmente através da sua intuição.

Você, mais do que outras pessoas que são intuitivas e que dão mais ouvidos aos sentimentos do que à razão pura, é focado em fazer do mundo um lugar melhor para as pessoas. Sua primeira meta é encontrar o seu significado na vida, perguntando coisas do tipo: “Pra quê eu existo? Qual é o meu propósito? De que maneira eu posso melhor servir a humanidade durante a minha vida?” Você é uma pessoa idealista e perfeccionista, e se esforça ao extremo para atingir os objetivos que identificou para si mesmo.

Você é muito intuitivo sobre as pessoas. Você conta totalmente na sua intuição para te guiar, e usa suas descobertas para buscar constantemente o valor da vida. Você está numa missão contínua para encontrar a verdade e o significado das coisas. Cada interação e cada pedaço de sabedoria adquirida é filtrada pelo seu sistema de valores, e avaliada para ver se existe algum potencial para lhe ajudar a definir ou refinar mais ainda seu próprio caminho na vida. A meta final é sempre a mesma – você se esforça para ajudar as pessoas e para fazer do mundo um lugar melhor.

Em geral, uma pessoa gentil e de muita consideração, você é um bom ouvinte e deixa as pessoas à vontade. Mesmo que reservado ao expressar suas emoções, você se importa demais com os outros, e é genuinamente interessado em entender as pessoas. Esta sinceridade é percebida pelos outros, fazendo de você um amigo especial, e em que se pode confiar. Você geralmente é muito caloroso com as pessoas que você conhece bem.

Você odeia conflitos, e faz o que puder para evitá-los. Se você precisa encará-los, será sempre utilizando a perspectiva dos seus sentimentos. Em situações de conflito, você dá pouca importância para quem está certo e quem está errado. Você presta atenção à maneira com que você se sente quanto ao conflito, e não se importa muito se seus sentimentos estão ou não corretos. Você simplesmente não quer se sentir mal. Essa característica às vezes faz com que você aparente ser uma pessoa irracional e ilógica em situações de conflito. Por outro lado, você faria um ótimo papel de mediador, e tem facilidade de resolver os conflitos dos outros, porque você entende intuitivamente as perspectivas e os sentimentos das pessoas, e quer genuinamente ajudá-las.

Você é flexível e despreocupado, até que um de seus valores seja violado. Assim, se seu sistema de valores está sendo ameaçado, você pode se tornar agressivo, lutando com muita garra e paixão por sua causa. Quando você começa um projeto no qual se interessa, é muito comum que este se torne uma “causa” para você. Apesar de você não ser uma pessoa focada em detalhes, você cobrir cada detalhe necessário com vigor e determinação, enquanto lutando por essa sua causa.

Quanto a detalhes mundanos da vida (como lavar, limpar, passar, etc), você praticamente não está ciente deles. Você pode passar meses sem perceber as manchas no carpete, mas você cuidadosamente e meticulosamente remove aquele filetinho de poeira que caiu em cima do seu caderno de projetos.

Você não gosta de ter que lidar com fatos concretos e com lógica. Seu enfoque pessoal nos seus sentimentos e na condição humana torna difícil que você lide com decisões impessoais. Você não compreende nem acredita na validade de uma decisão que não leva as pessoas em consideração, fazendo de você uma péssima pessoa para tomar esse tipo de atitude. Você provavelmente evitará análises impessoais, apesar de poder desenvolver esta capacidade, e de conseguir ser bastante lógico. Sob estresse, é comum que você utilize a lógica de uma maneira errada quando, por exemplo, num momento de raiva, em que você cita fato após fato (e geralmente não completamente corretos) em uma explosão emocional.

Você tem padrões altíssimos e é um perfeccionista. Conseqüentemente, você é muito duro consigo mesmo, e não dá muito valor às suas conquistas. Você pode acabar tendo problemas na hora de trabalhar em um projeto em grupo, pois seus critérios e padrões tendem a ser bem mais altos do que os do resto do grupo. Nessas situações, você pode ter um problema de “controle”. Você precisa tentar equilibrar seus ideais com suas necessidades do dia-a-dia. Sem resolver este conflito, você nunca ficará feliz consigo mesmo, e pode ficar confuso e paralisado quanto ao que fazer de sua vida.

Pessoas como você geralmente são escritores talentosos. Você pode se sentir esquisito e desconfortável em se expressar verbalmente, mas você tem uma capacidade maravilhosa de definir e de expressar no papel o que você está sentindo. Você também gosta de participar de profissões de cunho social, como na área de aconselhamento ou de educação. Você se encontra o mais confortável e feliz possível quando trabalha pelo bem das pessoas, e onde você não precisa usar lógica intensamente.

Se você desenvolver suas potencialidades você poderá realizar feitos maravilhosos, apesar de que provavelmente você nunca irá reconhecê-los como tais. E lembre-se: algumas das pessoas que mais causaram desenvolvimentos humanísticos no mundo foram pessoas como você.

(Quase chorei com esse final).

quarta-feira, 20 de março de 2013

Depósito do que sei sobre a minha personalidade.


Estranha igual a dona. Não sei defini-la ou dizer com toda a certeza desse mundo-moinho que a minha personalidade é assim ou assada. Parece que varia de acordo com o clima que faz, com o humor que possuo no momento ou com o estado de espírito. P'ra terem ideia de como ela é, de momento eu diria que sou frágil sentimentalmente e é isso, com o tempo, me torna forte como sinto que sou hoje. Tenho uma calma de maracujá que se transforma em preguiça de vez em quando, tenho uma timidez exacerbada pra certas coisas e consigo me detestar muito por isso, sou sincera e escondo a verdade quando posso dizer uma mentira boba só para não prejudicar e proteger alguém que gosto, sou amorosa mas só vim descobrir isso depois que me apaixonei e fico pior principalmente quando estou embriagada, costumo ser bem paciente tanto que olho a vida passar por mim e não pego carona porque acho que passarei dessa p'ruma melhor, não consigo ser simpática nem se me pagassem uma bebida, não sou completamente bondosa porque isso é algo que tento ser e falhas acontecem, amo gatos e isso conta?
Mas, em resumo, acho que o meu batom vermelho com um sorriso de canto falaria melhor por mim.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Por favor, primeiro os dramas.


Ultimamente os dias andam silenciosos - tirando o barulho desagradável da vizinhança, é só aqui dentro da minha vida mesmo. E o único som que me agrada lá fora e que me faz companhia todos os dias, é o canto dos pássaros. As tardes, ora quentes, ora chuvosas, se arrastam me levando junto com elas, como se o meu estado deixasse de ser estático e caminhasse não sei para onde. Deixo. Não faço nada do que gostaria e quase choro enquanto observo um belo fim de tarde escapando dos meus dedos, dá um aperto no coração desperdiçar dias assim. Já faz algum tempo que perdi a reação, o desgaste por coisa nenhuma conseguiu fazer com que eu começasse a definhar. Sou visivelmente perturbada pela realidade, não consigo enfrentá-la, queria deixar de ser essa covarde que possui sonhos tão bem guardados que nem os encontra mais. Acho que parei no tempo. É como se eu estivesse dando voltas e mais voltas e parando no mesmo lugar, por mais que o meu esforço é querer me mover, algo impede o impulso e faz com que eu afunde cada vez mais. De resto, venho tendo dias ruins com pausas para a leveza, e por mais palavras pesadas que eu use, nem tudo é tão árduo ou sério quanto parece. Eu sou leve considerando o peso que carrego na minha carcaça, e quando encontro formas de escapar, sinto que a única e verdadeira liberdade de espírito é saber aproveitar até os momentos do seu aprisionamento dentro de si. Ontem de ontem fui feliz, mas hoje eu não sei mais se sou ou, se na verdade, nem sei ser.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Dois patinhos na lagoa.



É só mais um dia, um ano completo que foi vivido devidamente junto com as suas partes desperdiçadas. Houve mais desperdícios do que aproveitamentos – diga-se de passagem, porque esse é o rumo natural das coisas quando se deixar levar. Carpe Diem ou qualquer outra perfeição que foge do nosso alcance é utopia, não se esforce para seguir sempre a risca algo bonito em seu significado e fora de plena realização, apenas queira o impossível, vai que... Felicidade é um estado que não está contido em um dia que te presenteia com um sentido, você não tem a obrigação de ser feliz por uma data comemorativa e outros dias virão, não importa o conteúdo comemorativo que eles se carreguem de pressionar em ti uma emoção quando a importância que podem carregar quem dá é você.
Passei, voltei e ainda não é fim, hoje não. Olhei pra trás, fui dormir sem espera, já acordei sem nada em mente. Esse dia nublado foi propício ao nada, esses chuviscos poderiam ser minhas lágrimas, é que vontade de chorar não tem, nem a de sorrir. O peso é cada vez mais notável, acontece que ainda tenho momentos em que sinto uma leveza indescritível, amo tal simplicidade. Mas é que não é mais como antes, aquela ânsia por desejar uma festa com balões para serem estourados é fantasiosa demais, não tem graça fechar os olhos e fazer um pedido sendo que os sonhos de infância foram todos perdidos (mas jamais esquecidos). Eu pensava em me esconder só de imaginar que poderiam cantar parabéns, a atenção que se recebe nesse dia poderia ser dada da mesma maneira como nos outros, clamo por isso. Ainda sou jovem apesar da idade entregar o que deixei de ser faz tempo, mas isso não me impede de nutrir em mim um espírito de quem se recusa a crescer por inteiro. Não vou deixar a minha criança interior morrer na beira do abismo que é se tornar uma adulta, eu já não sei direito como aproveitar essa velhice prematura que veio cedo e tomou conta do meu ser sem estar. E mesmo sem saber tenho muito para me aventurar, explorar cada canto, me desfazer e repetir o feito de deixar partes minhas em cada lugar que me marcar. Parece que quanto mais aniversários eu faço, menos vontade de comemorar eu sinto, isso tudo me assusta. Considero esse dia uma velha novidade fazendo dele mais um em minha curta vida, não vou me enganar à toa com tal ilusão. Ao menos um aprendizado eu consegui tirar desse vago que foi tudo: não se pode almejar mudança quando isso precisa acontecer, primeiro, dentro de você.

(Ah, mas como eu gostaria de aproveitar esse dia como se fosse o último de minha vida, e como queria!).

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Por si só.

Almejo abraçar, soltar uma simples frase que vire uma agradável conversa e aparecer de vez em quando para lembrarem a minha existência. Pois bem, é o que tento fazer, porém é ineficaz e falho antes mesmo de tentar. E se falho foi porque não tentei. Acho que acabei adentrando em um mundo confortável, melhor do que lá fora, mesmo que isso sobreviva só na minha imaginação, aqui dentro é impossível cortarem minhas asas. Acabei apreciando a solidão de uma maneira que a tornei minha única companhia, engana-se quem pensa que estou só quando fico isolada. Tenho tendência a me pôr solitária e feliz com a minha melancolia (eu acho, sinto) e, por favor, não diga que é frescura e não faça pouco caso do meu estado. Eu gosto dela – da melancolia, até mais do que de mim e não me suporto sozinha, então arrumo algo que não irá se cansar de mim para acompanhar meus dias desperdiçados. O futuro me assusta mais do que muita coisa nesse mundo, então boto uma música da minha adolescência e finjo que estou lá, agindo feito uma inconsequente que possui o mundo nas mãos e ama a vida ao seu modo, mas não sabe o que fazer com essa dádiva, dádiva que nos é dada de graça, recebida de mãos fechadas e com um choro copioso, de olhos bem fechados. Não é engraçado como podemos nos identificar com o nascimento quando sentimos que estamos prestes a morrer de desgosto? Eu sei, não chega a ser um drama desses, eu intensifiquei demais como sempre. Mas sei que há um pouco de verdade nesse vazio todo, deve haver respostas no fundo. Menos nesse lugar que suga todas as minhas energias miseráveis. Eu não quero mais viver – aqui, onde não há nenhuma perspectiva, nenhuma luz ou nenhum sopro de esperança porque enxergo apenas o descaso nesse inóspito local e não posso me afundar mais do que isso, ninguém tem o direito de desfazer meu sonho, nem mesmo a vida. Posso não ser nada agora, agora eu realmente não sou nada pr’esse mundo e que ele não exija muito de mim fora do tempo, receber pressão me cansa e antecede a desistência momentânea. Nasci pra ser só uma, farei minha arte até debaixo d’uma ponte se for minha última opção. Vou me ajeitar. Quero porque quero seguir apenas aquilo que o meu coração mandar, porque este sim possui uma força sobrenatural sobre mim.

Deixo um pouco de lado a questão existencial de procurar saber quem eu sou, hoje convivo com uma agoniante pergunta martelando em minha mente: ‘’Que fiz eu de minha vida?’’. Só estou viva até agora.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Aconchego do livre afeto.



Acho que já me conformei com tal coisa e coisa e tal. Não queria, mas foi o jeito, aconteceu. Não houve uma despedida, não houve nada além de saber, confirmar a intuição. Tua ida já foi longe demais. Quero pensar com calma e mastigar essa superação, fumar um cigarro, então é bom que não ponham expectativas em mim por aquilo que. Deixa pra lá...
Percas, danos, desperdício. Quem é que sai ileso de tudo isso, me diz? E quem é que não aprende também. Eu aprendi tanto com vocês, me diz aí o que diabos vocês aprenderam comigo q’eu não sei, diz que a experiência valeu a pena. Porque pra mim valeu e repetiria a dose tantas vezes que correria o perigo de ter um coma alcoólico, pois agora eu pouco me importo pros riscos que posso correr. Vou estar sentada, bebendo a falta e esperando ouvir coisas agradáveis a respeito de mim para o mundo, não ousem me decepcionar. E sinta-se livre, veja só o privilégio, não vou quebrar o coração de ninguém por quem tenho amor e nem implorar (ou esperar) por reciprocidade.
Não sei quando foi que aprendi a sofrer desgraçadamente em um estante e sorrir cinco minutos depois, se esse for um jeito certo de amadurecer sentimentalmente mesmo com a fragilidade que possuo por causa da essência, então vou fincar meus pés na raiz dessa árvore. Mas eu nunca entendi como as coisas funcionam, sabe? Essas coisas aí, que incomodam mais do que pedra no sapato encharcado depois da chuva molhar. Muita coisa não desce porque é como aquele café gelado que minha mãe alertou bem antes que iria esfriar, mas mesmo com todo amor que sinto por ela, não dei a importância necessária e deixei que esfriasse, não o amor, mas a vida que ficou morna e assim, acabava desistindo por um dia. Aí é só lamento por não ter dado importância suficiente ao café, as palavras da mãe, ao gato da vizinha, a essas coisas vivas e cheias de ternura e bondade. Podem achar que é inocência da minha parte, mas se você olhar com carinho verá que há uma imensidão de pessoas andando com o peito cheio de amor e humanidade, por isso não se sentem sozinhas. E nem demonstram porque escondem em um local seguro, no coração. Só não deixe as coisas passarem assim, não tenha medo de dizer eu te amo.