quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Adjetivar-se.


Seca como as folhas que caem do topo da árvore.
Chorosa igual a uma chuva passageira e forte de verão.
Azeda feito o leite amanhecido deixado fora da geladeira.

Amarga como o gosto da decepção.
Frustrante igual a uma expectativa não alcançada.
Desligada feito um botão onde basta relar para explodir.

Entediante como uma tarde de Domingo.
Perdida igual a um caminho sem direção, sem eira nem beira.
Dramática feito o teatro que nunca fiz e a comédia que nunca fui.

Ainda assim sou momentaneamente feliz quando ouço pássaros cantando livres antes de amanhecer, enquanto me prontifico para ir dormir. E quando deito me pergunto em que ponto tudo está errado, se o peso da culpa é somente meu ou se fui eu que virei do avesso e o mundo do inverso.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Desabafo, palavrões e o caralho a quatro.



Acho que todos nós temos em alguns momentos dessa vida esses ataques desnecessários de raiva, de propensão extrema a se entristecer pelo tédio, de insatisfação consigo mesmo. É natural que isso aconteça, porque se manter de bem com tudo é afastar a realidade e adiar cada vez mais a solução das suas aflições, a saída dos seus problemas. Não é lá muito normal manter em mente que não há motivos para preocupações e estar feliz o tempo todo. Forçar não é tentar. Felicidade não passa nem perto de ser fácil assim. E a não ser que você tenha razões por mais simples que sejam que te fazem abrir um sorriso por pelo menos 5 segundos, sua sincera felicidade instantânea estará longe de ser real e notada. Mas mesmo que eu procure cometer o erro de fugir da minha realidade às vezes, sei o quanto isso é atraso de vida. Tanto que já passei da hora de seguir adiante e por algum motivo não consigo. Essa estagnação traz um incômodo tão grande que apenas peço que não pergunte como vou sair disso. Não pergunte nada que eu não saiba responder.
Se eu pudesse voltar atrás, em um certo ponto da minha vida, concertaria a única merda da qual realmente me arrependo, um erro só, que ocasionou todo esse caos que enfrento hoje e agora, exatamente nesse instante. Ah, s’eu pudesse concertar o que me culpo até hoje de ter feito, talvez não estaria na situação fodida da qual me encontro. Mas naquela época estudar havia se tornado um fardo, não tinha o menor saco e hoje me sinto mais perdida do que.
Porra, nunca faça a merda que eu fiz da minha vida. Nunca deixe uma obrigação em segundo plano.
Quantas e quantas vezes ao dia me pego sorrindo por algo simples e minutos depois triste por coisa à toa. Não sei explicar e inefável não é, pois consegue me deixar mal durante um dia inteiro, até que eu deite inconformada querendo chorar ou gritar de tanta agonia pensando no que gostaria de ter de volta, em tudo o que se passou e não me sobrou nem a coragem de ir dizer o quanto sinto falta mesmo que não seja recíproco. E não conto isso p’ra absolutamente ninguém. Adianta contar a saudade? Então guardo o que sinto numa espécie de cápsula mental. Penso em ligar e dizer somente coisas boas, não essas que vivem me atormentando e que nem sei direito como chamar. Não consigo nem ao menos manter contato com quem não quero de jeito algum perder. E mesmo assim evito por ter receio de incomodar. Só meu coração vai dizer o que deixo em silêncio. Meus dramas continuam sendo escancarados, minha melancolia permanece em ascensão. Acredito que não deve existir quem suporte porque céus, eu sou tão chata e ultimamente ando assim mais do que o de costume. Fiquei amarga e nunca fui forte quanto já transpareci, nunca fui fraca como aparento ser. Acho que sei dosar, dizer que estou bem sem estar, coisa que já se tornou rotina. Ao menos palavrão é algo que digo fluentemente. E como é sincero, não? Caralho, como é bom libertar-se dessa maneira. Eu quero mesmo é resumir o que disse apenas dizendo que vão à merda quaisquer tipos de censuras, principalmente as sentimentais. O amor e um foda-se poderiam resolver tudo.
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Chá de sumiço.



Sumir procurando alívio no tempo que se dá é um presente que pode dar a si e que pode ser benéfico ao retornar depois de sentir que teve renovação em algum aspecto pela mudança que não quer dizer a ninguém até porque não se sabe qual é. Tal surpresa não pode ser estragada, ciente de que nem você mesmo sabe qual é. Existem momentos em que se abster de atenções é a cura de todo barulho que você fez sem a intenção e acordou atordoando a tantas pessoas que resolveu deixá-las em paz para procurar saber no tempo onde é que está a sua tranquilidade. Decidir se afastar pelo bem de todos não é lá uma decisão fácil de se tomar, pois talvez quando voltar, não saiba como restabelecer e amarrar os antigos laços da mesma forma que estavam antes, sem deixar que se sufoquem com a sua presença e você precise sumir de novo para afrouxar e dar espaço para que alguém respire, sinta e note sua folgada ausência. Sem contar a sua saudade, que você esconde como sujeira debaixo do tapete pra que ninguém te dê uma bronca quando for demonstrar e já ser tarde demais. Você é isso e só. Acostumou-se a ideia de que não sabe lidar muito bem com quem admira e gosta, tudo por culpa de um medo bobo de perder a ponta do nó que segura o afeto. Por isso você some. Some porque sua covardia lhe impede de permanecer aqui mostrando sinal de vida a todo o momento e acabar deixando todo mundo exausto e por aqui ó, contigo. Mesmo que sua segurança está em quem te passa apoio. Desaparecer não é fazer pouco caso de quem segura sua mão, apenas troca a atenção pela compreensão. Você foi, mas em algum momento volta. E na volta, vem melhor do que antes.

Dá tanto medo isso de ser um fardo para alguém. É um medo que tenho e é uma das piores impressões que posso ter. Desse jeito desengonçado de ser, posso empurrar alguém para fora da minha vida sem querer. Preciso saber dosar, aprender a não fugir sem avisar, precisar dar explicações sobre o tempo que resolvi tirar para tomar um ar, do contrário me sufocaria com a minha própria companhia.
Posso estar distante quando passo por perto, vivo perto e sou distante e pareço distante querendo estar perto. É – só, um modo de ser.
Lembrem-se de mim quando eu for tomar um chá e o preparo da minha volta demorar.
Mas enquanto eu estiver fora, por favor, não vá comprar cigarros.